Por Rafinha MartinsPara quem não assistiu o filme da Disney/Pixar Ratatouille, Anton Ego é um crítico de restaurantes severo e exigente. No entanto, é sua crítica final que fecha com chave de ouro o filme, após experimentar algo que jamais esperou experimentar.
Estou postando essa crítica por ela ser INCRIVELMENTE poderosa em suas palavras suaves e sinceras...
Por Anton Ego
"De várias maneiras, o trabalho de um crítico é fácil. Nós arriscamos muito pouco e, a despeito disso, desfrutamos de uma vantagem sobre aqueles que submetem seu trabalho, e a si próprios, ao nosso julgamento. Nós nos refestelamos escrevendo críticas negativas, que são divertidas de se escrever e de ler. Mas a verdade amarga que nós, críticos, temos que encarar é o fato de que, no grande esquema das coisas, até um lixo medíocre pode ter mais significado do que a nossa própria crítica. Mas há momentos em que um crítico verdadeiramente arrisca algo, e isso ocorre na descoberta e na defesa do novo. Noite passada, eu experimentei algo novo, uma refeição extraordinária preparada por uma fonte singularmente inesperada. Dizer que tanto a refeição quanto quem a preparou desafiaram meus preconceitos é uma grosseira simplificação. Ambos me abalaram em meu âmago. No passado, não fiz segredo do meu desdenho pelo famoso lema do Chefe Gusteau: "Qualquer um pode cozinhar". Mas só agora verdadeiramente percebo o que ele queria dizer. Nem todo mundo pode se tornar um grande artista, mas um grande artista pode vir de qualquer lugar. É difícil imaginar alguém com origem mais humilde do que o gênio agora cozinhando no restaurante Gusteau’s e quem, na opinião deste crítico, não é nada menos do que o maior chef da França. Estarei voltando ao Gusteau’s em breve, faminto por mais".